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The Dirty Coal Train

The Dirty Coal Train

Foi na mais quente e húmida noite daquele verão de má memória que tudo aconteceu. Uma noite amaldiçoada para todos os que nela participaram. Uma noite em que teve início uma empreitada malfadada, cujas negras consequências não são ainda completamente perceptíveis.

A lua não estava cheia. Fugindo da multidão enraivecida que as perseguia, dois passos apenas à frente do alcance dos archotes e das forquilhas, três mulheres procuravam abrigo nas fumegantes entranhas dos pântanos do Louisiana. A alternativa, sabiam, permitia-lhes uma escolha. Mas era entre a forca e a fogueira.

Marie LaVeau, raínha voodoo e mestre na arte de encolher cabeças e enlouquecer inimigos; Lena Hurácan, sacerdotisa amazónica, capaz de invocar os espíritos da natureza e convocar ventos, dilúvios e trovões com os ritmos dos seus tambores; e Conchita de Aragón, cigana fugida de um espetáculo de horrores circense, incapaz de disfarçar um sorriso velhaco ao revelar infortúnios futuros em sessões de leitura das palmas das mãos aos insensatos temerários que se atreviam a pedir-lho, infalível a espalhar feitiços, maus olhados e poções azedas.

A noite sempre foi má conselheira de mentes tacanhas, que procuram apenas destruir o que não compreendem. Que temem o que não conhecem. Perante a escuridão, as sombras parecem ganhar vida. Mostram dentes podres e afiados, enquanto sorriem com intenções torpes. E o medo engorda toneladas.

Sentindo a vontade dos perseguidores fraquejar a cada metro avançado para o interior do pântano, as três mulheres persistiram.

Duas horas depois, já livres da perseguição, cruzaram-se com a figura esguia de Reverend Jesse, quando este recolhia escamas de jacaré para um guisado. O velho pregador, que há muito havia substituído a leitura das sagradas escrituras pela procura de iluminação no fundo de uma garrafa de aguardente de contrabando, guardava os julgamentos para o dia do juízo final. Viu as roupas e os amuletos, percebeu tudo, o visível e o oculto, mas não se preocupou. Convidou as três mulheres para jantar.

Após trocarem dicas de culinária e experiências religiosas, descobriram afinidades musicais que valia a pena explorar. Para completar os sons exóticos do combo, decidiram ressuscitar o cadáver de Old Rod – um maquinista enlouquecido, reformado com o último dos motores a vapor.

Procurando paragens mais tolerantes, mudaram-se para Portugal, trocando jacarés, gumbo, mezcal e bourbon por noites de magia negra, presunto, vinho tinto e queijo da serra. Pretendem, com os seus uivos e ruídos estridentes, encontrar comunhão com outras almas perdidas e manter vivo o espectro do rock mais cru feito neste canto esquecido da Europa.

Guardem as vossas filhas, as vossas garrafas e as vossas cabras e galinhas! Os The Dirty Coal Train chegaram com instrumentos amaldiçoados e não têm medo de os usar!

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